Os perigos dos anabolizantes Leave a comment

Os perigos dos anabolizantes – Os padrões estéticos, que definem o que é considerado um corpo belo, mudaram bastante ao longo da história. No período conhecido como pré-história, o padrão masculino era de um corpo robusto e musculoso, associado ao potencial de caça, e o feminino era de obesidade, sendo feita a associação à disponibilidade de alimento e à fertilidade. Na Antiguidade Clássica e no Renascimento, que, como o próprio nome diz, retomou seus valores, o corpo masculino belo era o musculoso e definido, mas relativamente esguio e o feminino era um corpo avantajado, mas não obeso, sendo ambos muito retratados nos nus das obras de arte. No período entre essas duas épocas, a denominada por esse motivo Idade Média, os corpos belos eram os mais gordos, por representarem a prosperidade, já que apenas os mais nobres tinham condições de se alimentarem bem. Já a partir do século XVI, durante a Idade Moderna, os corpos magros passaram a ser valorizados, sendo essa época marcada pelo uso dos espartilhos e corpetes no caso das mulheres a fim de afinar as cinturas, de maneira a provocarem desmaios e até fraturas de costelas em alguns casos. Esse padrão é quebrado no século XIX, quando, durante a Revolução Industrial, o acesso aos alimentos se torna mais difícil para as classes mais baixas, sendo ele e, consequentemente, os corpos avantajados, sinais de boas condições financeiras. Caminhando rumo à atualidade, no século XX, o padrão atlético volta a vigorar, com algumas variações entre biotipos com o passar das décadas, tendo a era fitness se iniciado em 1980 com a popularização dos videocassetes de ginástica em casa e se consolidado e fortalecido até os dias de hoje. Esse padrão atlético é perceptível no mundo todo, principalmente com a cultura de auto exposição nas redes sociais, mas essa tendência se mostra ainda mais forte no Brasil devido a traços culturais marcantes como o carnaval, que em seus desfiles expões corpos sarados e definidos. Essa preocupação incessante com a adequação ao padrão pode ser prejudicial não só á saúde mental, devido às pressões sociais para tal, mas também a saúde física, pois, principalmente no meio jovem, é feito uso de diversas substâncias sem orientação médica e de maneira inconsequente. Neste artigo, falaremos sobre o uso de anabolizantes, a ação e os efeitos do uso deles e dos riscos que isso representa à saúde.

O que são anabolizantes?

Como o próprio nome diz, anabolizante é uma substância que provoca o anabolismo. Mas o que isso significa? O que é anabolismo? A ação anabolizante nada mais é que a constituição de moléculas complexas a partir de moléculas mais simples, o que é essencial para a formação do tecido muscular, por exemplo, sendo este o principal objetivo com o qual a substância é utilizada. Assim, os anabolizantes, que foram desenvolvidos como medicamentos para tratamentos de doenças, começaram a ser amplamente utilizados como potencializadores e aceleradores de resultados obtidos na academia, culminando na banalização desse uso, de maneira que ele passa a ser muito feito irresponsável e inconsequentemente, sem orientação médica, podendo provocar diversos danos à saúde.

Como acontece a ação anabolizante no organismo?

O anabolismo é uma parte do metabolismo que, como dito, realiza a síntese de moléculas complexas a partir de partículas mais simples, sendo isso possível a parir do gasto energético. Assim, caso não haja energia disponível, ocorre o processo contrário, o catabolismo, que representa a decomposição das moléculas complexas em várias simples. Alguns exemplos principais da formação de macromoléculas por meio do anabolismo são: a formação da glicose por meio da fotossíntese e a formação das proteínas por meio das ligações peptídicas entre aminoácidos.

Dessa maneira, ao perceberem a importância do processo anabólico para o desenvolvimento da musculatura e, assim, para a conquista do corpo musculoso desejado, as pessoas passam a procurar maneiras de estimulá-lo. O anabolismo pode ser estimulado pela combinação da prática de exercícios físicos e de uma alimentação rica em proteínas, pois ele acontece no período de repouso do corpo após o esforço físico, que provoca pequenas lesões na musculatura, sendo a reparação delas responsável pelo desenvolvimento dos músculos, o que acontece com a sintetização das proteínas, transformando-as em aminoácidos.

Mas se é possível obter a hipertrofia muscular com a prática dos exercícios físicos e a adoção de uma dieta adequada, por quê as pessoas recorrem ao uso dos anabolizantes? Estas substâncias, que geralmente reproduzem a estrutura química da testosterona, são injetadas intramuscularmente ou ingeridas por meio de comprimidos, de maneira a serem transportadas pela corrente sanguínea até o fígado, de onde sai para os músculos do corpo, sendo neles estimulada a produção de fibras musculares e o agrupamento de água e proteínas no interior das células. Assim, o metabolismo é acelerado e, consequentemente, a recuperação celular, e os músculos crescem devido principalmente à retenção de líquidos,  o que pode potencializar os resultados obtidos na academia com dois  estímulos e reduzir o esforço e o tempo necessários para atingi-los, sendo isso muito atraente para as pessoas que sofrem muita pressão estética e se sentem coagidos a terem o corpo mais musculoso o mais rápido possível, o que pode ser muito perigoso devido ao uso inconsequente. Dessa maneira, os resultados obtidos com anabolizantes são temporários, só duram enquanto o consumo da substância ainda acontecer, pois sem a reposição dela, o músculo elimina os líquidos retidos e desincha, o que cria uma relação de dependência ainda mais perigosa.

Os anabolizantes apresentam efeitos colaterais?

O consumo de anabolizantes pode parecer muito positivo para quem o consome em um período inicial, pois apresenta resultados intensos de maneira muito rápida, o que faz com que muitas vezes essas pessoas ignorem efeitos colaterais que aparecem com o uso. Essa droga, por inserir artificialmente e, em grande parte dos casos, excessivamente, um hormônio no organismo, desbalanceia a estrutura hormonal, provocando a atrofia das estruturas de produção hormonal e, assim, efeitos colaterais visíveis. Dentre eles: queda capilar seguida de possível calvície, irritação na pele e aparecimento de acne principalmente nas regiões do rosto e das costas, engrossamento da voz feminina, surgimento de pelos incomuns nas mulheres, aumento da mama masculina, redução da mama feminina, queda de libido e impotência sexual, hipogonadismo e hipertrofia de clitóris. Ademais, existe, ainda, risco de descompasso cardíaco com a expansão das fibras musculares, aumento da pressão arterial devido ao prejuízo da circulação causado pela retenção de líquidos, elevação do colesterol, contração de doenças como aids e hepatite por compartilhamento de seringas, enfraquecimento dos tendões e da estrutura óssea e, ainda, agressividade.

Quais são os riscos de se consumir anabolizantes?

Assim, desestabilizando a estrutura hormonal, os anabolizantes, além de provocarem efeitos colaterais danosos, apresentam riscos ainda mais comprometedores a longo prazo. Os órgãos mais afetados nesse processo são os rins e o fígado, que sofrem uma grande sobrecarga, podendo resultar em falência dos órgãos primordiais para o funcionamento do organismo. Devido ao volume elevado de sangue com circulação dificultada, os rins passam a ter cada vez mais problemas na filtração sanguínea, o que pode ocasionar em quadros de glomeruloesclerose segmentar e focal, em que os glomérulos renais, responsáveis pela filtração, sofrem um processo de cicatrização e endurecem, provocando uma insuficiência renal. Já no fígado, o que acontece é a redução da atividade mitocondrial ao metabolizar os anabolizantes, aumentando a suscetibilidade das células à ação de substâncias oxidantes, levando à morte celular e, assim, à lesão dos hepatócitos e à consequente retenção da bile, podendo causar hepatomas, cânceres de fígado.

Quais são os tipos de anabolizantes?

Os anabolizantes são classificados e divididos em dois grupos: hidrossolúveis e lipossolúveis. Os dois se diferenciam em relação a suas formas de transporte sendo os primeiros, solúveis em água e, assim, transportados por meio aquoso e os segundos, solúveis em gordura, sendo conduzidos por meio lipídico. Os anabolizantes lipossolúveis são considerados ainda mais perigosos por se depositarem na gordura, se mantendo no organismo, e serem liberados continuamente.

Os anabolizantes são legais no Brasil?

O uso e o porte de anabolizantes sem receita médica é crime no Brasil, mas isso não impede que eles sejam comercializados e utilizados. Por essa prática ser ilegal e, consequentemente, clandestina, é muito difícil identificar a procedência e a composição dos produtos, o que torna esse consumo muito arriscado, pois existem muitos deles sendo comercializados como importados de países como Grécia, Rússia e Japão, mas que são produzidos no próprio Brasil, muitas vezes em lugares inclusive sem condições sanitárias e de higiene adequadas. Assim, esse consumo se faz muito arriscado, o que é ampliado ao se considerar que o perfil de consumo dessas drogas é de homens jovens, entre 16 e 30 anos, que, apesar de terem poder aquisitivo e alto grau de escolaridade, muitas vezes cedem à pressão estética e se submetem a essas condições para terem o corpo que é determinado pelo padrão social.

Em quais casos o uso de anabolizantes é indicado?

O uso medicinal de anabolizantes era inicialmente usado para tratar o cansaço crônico entre as décadas de 1930 e 1950, tendo sido descobertos seus efeitos na impulsividade e agressividade ainda nessa época, o que foi utilizado com esse fim em tropas alemãs, inclusive no próprio Hitler, na Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, começou-se a usar o medicamento para estimular a medula óssea para o tratamento de anemias hipoplásicas em que há produção insuficiente de células sanguíneas, mas ele vem sendo substituído por hormônios sintéticos como a epoetina alfa. Entre os anos 1960 e 1980, ele foi usado para estimular o crescimento de crianças que apresentavam uma defasagem nesse sentido. Em seguida, iniciou-se o uso para estímulo do apetite e preservação da massa muscular em pacientes de doenças crônicas desgastantes como o câncer e a AIDS. Nos anos 1980, eles eram indicados para meninos com a puberdade considerada atrasada para induzi-la, sendo a testosterona utilizada atualmente para esse fim. Hoje também faz-se esse uso para reposição hormonal em homens com baixos níveis de testosterona, como no caso de pacientes de hipogonadismo, sendo também usado em casos de dismorfia de gênero e em idosos com fraquezas musculares. Além disso, considera-se um uso futuro dos anabolizantes como métodos contraceptivos masculinos. É importante frisar, ainda, que as doses terapêuticas tendem para uma média de 25 mg duas a três vezes na semana, enquanto o consumo feito a fim de alcançar a hipertrofia muscular é geralmente uma quantidade próxima de 100mg cinco vezes por semana, o que reforça o grande perigo que se dá nesse uso não orientado e inconsequente.

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